Foram mais de 10.000 quilômetros voados. Do Norte ao Sudeste, passando pelo Nordeste. Em uma saga que começou com o interesse em descobrir e desvendar a presença da Universidade de Brasília além do Distrito Federal, nós partimos rumo a lugares que jamais havíamos pensado em visitar. Conhecemos um pouco mais da universidade, mas, acima de tudo, tivemos a oportunidade de conhecer mais do Brasil. E com isso, pudemos nos sentir mais brasileiros e nos curvamos ao imenso desconhecimento que só toma a verdadeira dimensão depois que dá pra medir um pouco do que não sabíamos antes.
Uma viagem como essa instiga, inspira, motiva. Dá uma ponta de dor das coisas que nunca vamos conhecer. Mas dá uma alegria imensa saber que cada dia, em cada lugar diferente para acompanhar as formaturas das turmas de ensino a distância da UnB, ensinou muito mais do que o nossos leitores podem imaginar. Cada dia foi uma lição. Em cada dia, as histórias dos nossos personagens se tornaram um pouco nossas e, a cada dia, alguma coisa mudava dentro do coração ou da cabeça. Ou dos dois.
Não dá para voltar a Brasília da mesma forma que partimos depois de conhecer as Nazarés, Selmas, Verônicas, Eugênias que compõem esse nosso rico país. É como disse o Galêgo, em Duas Estradas, na Paraíba: “o cara que mediu o Brasil mediu errado. Dá dois ou três países aqui dentro”. Acho que vamos além: vimos infinitos países nesses três estados que visitamos e vimos brasis que cabem em muitos livros. Sete matérias e 50 posts são um pouco do que vimos e sentimos. Esperamos que tenham embarcado conosco nessa viagem. E que tenha sido para você, leitor, tão rica quanto foi para nós.
Se algo tocou você nessa trajetória, cumprimos nosso papel de jornalistas.
O jornal semanal, com tiragem de 3 mil exemplares, é impresso nas noites de quinta-feira, para ser distribudo às sextas. Com a formatura da UnB, a impressão foi adiada para sexta à noite, para garantir que cerimônia de colação de grau seja noticiada.
A relação do diretor-fundador do jornal , Elias Couto, com as turmas da UnB começou na aula inaugural, quando ele foi mestre de cerimônia. “Isso ficou muito marcado. Muita gente não tinha a perspectiva de uma educação federal em Barretos”, diz. “Desde a aula inaugural, falei para eles como um desses meninos que sofreu para estudar: ‘tenho uma inveja desgraçada de vocês, porque vocês vão ter o certificado de uma das melhores instituições do mundo. Se fosse nos Estados Unidos, é como se fosse estudar em Harvard”.
Elias disse que os estudantes vão ganhar uma chamada de capa. “Quero colocar bastante gente em evidência”, promete. “O jornal não atrasou por ‘uma’ formatura, mas pela formatura da UnB, especialmente da primeira turma”.
O jornal O Imparcial tem 11 anos e é distribuído gratuitamente na cidade de Barretos. Elias foi o mestre de cerimônia da colação de grau.
Atualização em 18 de fevereiro:
Veja edição publicada em 18 de fevereiro com estudantes da UnB na capa do jornal aqui.
Discurso da professora Izabela Brochado, na última cerimônia das primeiras formaturas da UAB-UnB:
Caros formandos,
É com grande alegria que outorgamos a cada um de vocês, aqui hoje presentes, os diplomas de licenciatura em Educação Física, Artes Visuais e Teatro da Universidade de Brasília.
Como é sabido, a UnB foi concebida sob o signo da mudança. Criada há 50 anos atrás, dos ideais de Darcy Ribeiro e de intelectuais, artistas e professores que ansiavam por um Brasil desenvolvido não apenas nas grandes cidades, quase todas localizadas no litoral, mas também, no seu interior, o surgimento da UnB em pleno coração do Brasil, foi fundamental para que nos aproximássemos - nas dimensões social, educacional, cultural, econômica - da grandeza territorial deste país.
Caros formandos, é com grande esperança que outorgamos a cada um de vocês, o grau de licenciado pela Universidade de Brasília, pois ele consolida a vocação pioneira desta Universidade, uma vez que a Educação a Distância aprofunda este processo de interiorização do ensino superior, público, gratuito e de qualidade, tão importante em um país de dimensão continental como é o Brasil.
São muitos os desafios que temos pela frente, para que este projeto se consolide com qualidade: melhores estruturas; aperfeiçoamento das tecnologias e didáticas do ensino a distância, entre outros. Mas são principalmente vocês, formandos da primeira turma de Educação Física, Artes Visuais e Teatro, os nossos maiores trunfos na consolidação deste projeto. Assim sendo, em vocês confiamos e esperamos que exerçam suas atividades profissionais com responsabilidade, criatividade, compromisso social e muita alegria nos seus corações.
Finalmente, quero dizer que a UnB continua de portas abertas para que vocês possam fazer as suas pós- graduações, compreendendo que a formação de profissionais competentes é um processo constante, um fluir que acontece com a própria vida.
Parabéns a todos vocês e aos seus familiares!
Selma Cristina Daniel se formou na licenciatura em Artes Visuais aos 45 anos. Ela já foi babá, recepcionista, atendente de telemarketing e faxineira. Agora pretende prestar um concurso público para dar aulas de artes. “Toda profissão é digna. Tudo o que eu faço, faço com carinho. Mas eu acredito que esse diploma é uma profissão hoje para mim”, diz, ao lado da família.
Wanderly Borges (foto de baixo) passou no concurso para o Educandário Benedictus, em novembro do ano passado. A disciplina teatro entrou na grade curricular da instituição – que oferece atividades esportivas e de artes no contra-turno da escola – este ano, graças a atividades dela com uma colega da graduação.
Em 2011, Wanderly e Jaqueline da Silva (foto de cima) começaram a dar aulas de teatro no Educandário por meio de um programa do Ministério da Educação, chamado Mais Educação. As duas dividiam uma bolsa-auxílio de R$ 240. “Era simbólico”, conta Jaqueline. Cada uma trabalhava em um turno e as atividades duraram o ano todo. A evolução das turmas em termos de comportamento e atitudes graças ao teatro surpreendeu a direção da escola, que decidiu implantar a disciplina na grade de atividades.
“As turmas que fizeram teatro no ano passado já vêm completamente diferente”, diz Wanderly. “A gente sabe que o teatro resolve. Ele é um estilo de vida. Eu digo isso porque me apaixonei pela faculdade. O teatro é capaz de mudar o paradigma de uma situação”.
Veja no post abaixo a professora Wanderly atuando na sala de aula.
Wanderly Borges é uma das formandas em Teatro pela UnB em Barretos. Há duas semanas ela assumiu o cargo de professora da rede pública de ensino. Com vocação e muito jeito com as crianças, ela comanda as turmas de teatro do Educandário Benedictus, que recebe os estudantes da Escola Municipal Sagrados Corações, para atividades no contraturno das aulas regulares.
Nas fotos, ela está fazendo um exercício de interpretação das fases das borboletas com as crianças. Para inspirar o exercício, ela recitou para a turma a poesia As Borboletas, de Vinicius de Moraes.
As borboletas
Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas.
Borboletas brancas
São alegres e francas.
Borboletas azuis
Gostam muito de luz.
As amarelinhas
São tão bonitinhas!
E as pretas, então…
Oh, que escuridão!
Cibele Rodrigues, 7 anos
“O que eu mais gosto na aula de teatro é brincar”
Vitória Cristina Muniz, 7 anos
“O que eu mais gosto é fazer máscaras. Já fiz uma vermelha pra mim”
Issac dos Santos, 7 anos
“O que eu mais gosto é de ‘gato e rato’”
Vitor Hugo Pereira, 7 anos
“Gosto quanto tem carnaval e funk”